Hugo Calderano no WTT Star Contender Goa fala sobre mundial de tênis de mesa por equipes
(WTT)

Hugo Calderano não participará do Campeonato Mundial por Equipes de Tênis de Mesa, entre 16 e 25 de fevereiro, na Coreia do Sul. A medida tem o propósito de evitar o desgaste para o atleta que tem um calendário repleto neste primeiro semestre. Em janeiro ele já disputou três torneios da WTT, circuito da elite do tênis de mesa mundial, no Catar e na Índia, e agora passará fevereiro na sua base em Ochsenhausen, Alemanha.

Será a oportunidade de um último período longo de treinamento antes dos Jogos Olímpicos de Paris-2024. O calendário de Hugo até os Jogos Olímpicos será intenso. A previsão é que o atleta dispute 10 torneios em quatro continentes neste período, importantes tanto para garantir um melhor ranking ao atleta quanto para ter ritmo de jogo em busca da inédita medalha olímpica para o tênis de mesa brasileiro.

“Eu tenho um compromisso com o tênis de mesa e o esporte brasileiro, que é chegar aos Jogos Olímpicos nas melhores condições para conquistar um resultado inédito para o Brasil. Todas as decisões que eu e minha equipe técnica tomamos têm esse foco. Por isso nós decidimos que eu não vou participar do campeonato mundial em Busan, em fevereiro”, afirmou o atleta.

O próximo torneio do calendário é o Singapore Smash, que será disputado entre 7 e 17 de março. Em seguida, ele joga o WTT Champions em Incheon, na Coreia do Sul. O restante do calendário ainda está sendo definido, mas inclui o WTT Contender Rio de Janeiro, que acontece na capital fluminense entre 20 e 26 de maio, uma oportunidade incrível dele jogar diante da torcida brasileira.

“Não foi uma decisão fácil. Todo mundo sabe a alegria que eu tenho em jogar campeonatos representando o Brasil. Dessa vez eu vou ter que ficar na torcida de longe, buscando a melhor preparação possível para chegar em Paris brigando por uma medalha”, completou o tri-campeão pan-americano.

Hugo explica decisão para jornalistas e fala do ano olímpico

Em coletiva de imprensa que aconteceu nesta sexta-feira, Hugo explicou melhor a decisão. “Todo mundo tem o mesmo objetivo que é ganhar a primeira medalha olímpica brasileira”. Ele ainda salientou que é a primeira vez que não participa de um Mundial de Tênis de Mesa desde que entrou para a seleção em 2012.

Hugo ainda falou das diferenças da preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 e Paris-2024. Desde 2021, a Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF) criou o WTT (World Table Tennis), um circuito de torneios que reúne a elite do esporte. Hugo tem cinco títulos, ao lado de Fan Zhendong e Liang Jingkun. Wang Chuqin lidera a conta com sete.

“Hoje para se manter no topo é muito mais importante você ganhar torneio do que uma regularidade. Antes do WTT eu tinha resultados mais regulares e nos últimos anos eu consegui a maioria dos meus títulos”, afirmou o atleta.

Hugo ainda comentou sobre a final do WTT Star Contender de Goa e elogiou muito o rival da decisão. “Foi muito difícil perder essa final, em toda minha carreira eu sempre tive boas performances em finais, essa foi a terceira final que eu perdi no adulto. Joguei muito bem, tive minhas chances, mas sem dúvidas o Félix agora é o melhor jogador não-chinês. Tão jovem, mas o volume de jogo e o nível técnico dele é muito alto, ele quase não comete erros não-forçados, acho que ele acerta aquele backhand até dormindo, o saque dele é um dos melhores do mundo”.

Consigo compensar na intensidade, no nível mental, no ponto-a-ponto, mas eu tenho que trabalhar para conseguir competir com os melhores jogadores por mais tempo também na parte técnica. Eu tenho que ficar ali no 100% para jogar nesse nível, ele parece conseguir ficar ali por seis horas. Claro que fica um gosto amargo por não ter conseguido vencer a final, mas estou bem feliz com meu desempenho e posso melhorar bastante nesses próximos meses e chegar em Paris em uma boa posição para brigar por medalha”.

Além disso, ele destacou que neste ano muitos nomes chegam como fortes candidatos ao pódio, especialmente em comparação com Rio-2016 e Tóquio-2020. Ele ainda lembrou que o formato mudou e desta maneira mesmo os cabeças de chave já estreiam na primeira rodada. “É preciso um equilíbrio entre buscar pontos importantes pra o chaveamento e chegar bem fisicamente”, completou Hugo.